Com_traste

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ainda quero!


Quis fazer uma revolução
Gritei ao vento o que sinto
Fiz poemas de revolta
Agitei bandeiras de nuvens
Ergui os braços em protesto
Colei cartazes nos locais proibidos
Agi como um bandido
Dobrei panfletos
Segredei mensagens
Levantei o punho
Apontei miragens
E sonhei
Sonhei muito
Sonhei tanto que acordei faminto
Comi desilusão
Bebi saliva
Desfiz barreiras
Levantei muralhas
Matei tiranos
Prendi os cães
Olhei os pássaros livres
E sorri de peito aberto
Quis fazer uma revolução
Pedi tempo
Vontade
Forças
Liberdade
Pedi o justo
Pedi tão pouco do tanto que me negaram
E morri na praia
Sonho desfeito
Espuma poluída
Em ondas onde naufragam homens sem rumo
Quis fazer uma revolução
E gritei de raiva
Quando olhei os teus olhos inocentes
Que me perguntavam
Porquê?
Porque não conseguiste?
Então
Fiz-te um chapéu de soldado
Um cravo de papel
E contei-te…
Houve um tempo em que uns quantos Homens deram as mãos…e fizeram Abril num cravo vermelho

Sorriste e pedis-me a espada…






5 comentários:

  1. A história de muitos de nós, dos que sabiam o que queriam
    que queriam para todos o melhor de eles mesmos

    Não li o ano passado,
    Li este e gostei de verdade.

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    1. Obrigada,Carlos...gostei muito do teu comentário...e a foto daqueles olhos inquisidores,é do meu sobrinho ;O)

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