segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Tem gente? Não, tem Bicho!


Enquanto aguarda o tempo
Ousa respirar em pequenos sopros
Contemplando o interior do pensamento confuso
Ao mesmo tempo que se surpreende com a realidade exterior
Reencontra-se na imagem interior de si mesmo
Nada faz mais sentido que a desorientação de um pensamento
Em labirínticos recantos
Perde-se do que pensa pensar
Encontra-se naquilo que nunca imaginou
E dessa catástrofe surge a esperança
Num sorriso único de vitória
Afinal é isso que todos somos
Um pensamento que um dia surge em nós pela primeira vez
Um sopro de tempo antes de acontecer o tempo
Uma possibilidade
Uma descoberta
Um crime sem pena
Um ser que nunca se saberá completamente
Mas que ousa ser sem autorização divina
O bicho da maçã …

Espera ainda calçado...


Esperava

Já há algum tempo que era assim a espera…
Serena e simultaneamente inquieta.
Só o pensamento e o coração sabiam o seu segredo
O rosto e as mãos ilibavam-no da culpa.
Poderia haver um vendaval que as folhas do jornal, que diariamente folheava, nem mexiam.
Apertava a mão, aos que com ele cruzavam, com a firmeza dos homens calmos e seguros.
O espelho que o enfrentava todas as manhãs não poderia culpa-lo de nada…
Ele nem pestanejava ao desfazer a barba, nem mesmo quando acidentalmente se feria..
A mão segura, por vezes distraia-se com o pensamento inquieto,
O espelho ria
Mas ele deixava calmamente sangrar a ferida e controlava a dor.
Franzindo a testa, deixando o sobrolho momentaneamente recordar outros tempos…quando ainda se mostrava inteiro.
O dia corria com a normalidade de sempre
De fato e gravata, sapatos pretos de cordão bem apertado, seguia como se o tempo fosse todo dele…o mundo fosse dele…
A rua barulhenta e suja não o assustava, caminhava de olhos postos no horizonte limpando os sapatos de cada vez que um grão de pó os sujava.
“Ninguém caminha como tu”
“Parece que danças…”
“gosto tanto dos teus sapatos”
Parecia ainda ouvir a voz dela..
Era assim desde aquele dia em que o amor o deixou
Ela dissera:
“Eu volto!”
E ele deixou-se na espera ficar calçado.
Parece que não envelheceu, nem sabe ao certo há quanto tempo foi.
À noite, quando se deita apenas porque tem que descansar o corpo, o pensamento enrola-se em cada batida do coração
O coração aperta-se em cada pensamento dela.
A certeza da sua existência transformaram-no ..agora é sempre assim…um homem com um belo par de sapatos nos pés.
Na cadeira ao lado, o fato e gravata para o dia seguinte.
Tudo no lugar certo
Os sapatos nos pés…nunca se sabe quando ela irá chegar…
Dorme calçado para não perder tempo…e poder dançar novamente como antes..assim que ela chegue e o olhe.
Ele espera voltarem a ser…
Quatro pés e dois sapatos pretos.
Era nos seus pés que ela se calçava para dançar…terminando sempre num beijo

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Queijo fresco...


Tinha a faca e o queijo na mão
Mas apetecia-lhe bolo de “nos” com passas
Não matou a fome
Já tentara três vezes cortando os pulsos à dita
Mas a desdita acabava sempre por não sangrar
E sem sangue não se fazem cabidelas
Colocou então no cabide o único casaco da pele que possuía
Deixando dentro do umbigo as migalhas
Nu deitou-se no chão gélido
Faca numa mão
Queijo na outra
Queria tanto ter a vontade…que adormeceu pensando nela
Ao acordar, mesmo se a vontade viesse, seria tarde
O queijo matara a forma ao roedor faminto
Vagabundo dos buracos escuros e podres
Que mesmo sem faca não morre de vontade dela
Só lhe restaria a faca
E dois pulsos
Mas…mesmo já tarde a vontade viera
Sem nada que colocar na outra mão
Guardou a vontade no umbigo…
Esqueceu-se até que existiam bolos de “nos” com passas
E ficou à espera
Quem sabe um dia não voltará o queijo?

Resta saber...
Quanto tempo de vida terá uma faca
e por quanto tempo se pode guardar uma vontade

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Meus Deus!


Homem bomba
Com coração sempre armadilhado
Lançador de facas contra maçãs de pecado
Acertava sempre na dúvida
Atirador a alvos descentralizados
Na mira a anormalidade
O desuso de factos ou fatos
Traziam nos acordos a possibilidade de entendimento
O verão prometia uma colecção bizarra
Ele seria modelo e estilista
A parra cairia na passadeira de cor negra
Outono seria a estação mais próxima
E nas senhoras colocaria botões na pele de pétala rosa
Depois esperaria o próximo comboio para decidir ficar no mesmo sitio
Nada estaria no fim sem que antes ele pudesse colocar o ponto.
Decidira então escrever no bilhete furado
O revisor seria convocado pela própria arma
À mesma hora, num qualquer local, aconteceria o prometido
Bastaria chegar antes do final do tempo
Cronómetro colocado na bomba descontrolada
Salvaria todas a vidas
Bastaria cortar o fio certo da navalha afiada
E não mais deixar que a maçã se dividisse em duas.
Uma maçã inteira seria a recompensa
O prazer da dentada até no bicho
Ele seria o salvador do mundo que acabara de bombardear.

segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

ISTO É UMA ESPECIE DE MENSAGEM D FELIZ QUALQUER COISA


Da estrada já trazia uns vastos passos nos mesmos sapatos de sempre, os meus pés.
Nem sei bem com que idade comecei a andar, nem sei se gatinhei.

Mas tenho a memória de grandes viagens nos meus olhos, desde o 1º dia que me obrigaram a deixar o rio da minha mãe.

Somando tudo, dará à volta de 44 anos nos olhos..não sei quantos passos nos pés. Crescemos todos com um mundo nós bolsos e o outro mundo para agarrar fora de nós. Não me dei conta do tamanho do mundo dos meus bolsos enquanto criança, aprendi que o mundo que havia fora e em que podia caminhar era grande..muito grande diziam.

Um dia vi que até já podíamos ir à lua…com os pés.

Nos meus olhos e nos meus bolsos já lá tinha viajado antes.

Nem sei bem como se passam 44 anos sem conseguirmos aprender a medir esses anos em passos…se um ano tem 12 meses, cada mês tem à volta de 4 semanas, estas têm sete dias, os dias tem horas, as horas minutos e estes segundos..devo ter dado muitos passos nestes anos!!

Claro que há que contar com a diferença do tamanho das pernas e dos próprios passos em cada ano da minha vida…e sem duvida que houve momentos que corri, outros em que saltei...e outros ainda que simplesmente fiquei parada…

Com olhos, até mesmo enquanto fechados sei que com eles viajei .. . nem me atrevo a tentar fazer a conversão de 44 anos em olhares!!!!

Sabendo que tenho, alem dos outros olhos da minha mãe, muitos outros olhares que descobri e com eles aprendi a caminhar, será sem duvida uma conta complicada de fazer..alem de que não saberia avaliar em dias, meses ou anos os olhares de espanto, ternura, admiração, duvida, compreensão medo, amor e tantos, tantos outros sem nome que sei que já tive e irei ter.

Pronto, desisto de fazer contas aos olhos, bolsos ou passos que trago dentro de mim! Resta-me pensar agora como contar o fim de um ano e o início de outro que se avizinha. Ora bem..deve ser muito mais fácil pois então..

O fim deste ano é já amanhã..irei contar as horas do dia, os passos que andar e somar ao meus olhos (os bolsos são tipo máquina de calcular..e daquelas a energia solar..sempre gostei de trazer o sol na algibeira como um dia ouvi alguém contar..) e terei o resultado de ..

”APENAS” MAIS UM DIA DOS MEUS 44 ANOS…

O inicio do ano que vem…hummmmmm estarei parada? A saltar? a andar? Só saberei ao 1º segundo. Mas há uma certeza, o resultado será a soma de 44 anos, 11 meses, 15 dias..mais o que trago nos bolsos, nos pés e no olhar …e por fim junto todos os meus SONHOS…uiiiiiiiiiiiii nem sei quanto isto irá dar…mas há todo um caminho que se avista daqui até à lua.

MEUS AMIGOS..NÃO FAÇAM CONTAS DE CABEÇA, VIVAM COM A SOMA DO QUE TRAZEM EM VÓS
(ok ok..é igual ao que escrevi em 2008, não há inspiração pra mais este ano..crise!!)

sábado, 26 de Dezembro de 2009

Cocktail Social...


Bebe mais um copo, dizes com sorriso maquilhado.

E eu bebo.

Fumo um cigarro enquanto do outro lado do meu ser te olho

Sei-te mentira!

Dás-me asco!

Contenho o vómito

E bebo sorrindo.

Olho cúmplice um outro olhar que sinto aberto

Puro

Verdade

Sei que me diz, "não bebas!"

Mas bebo...

Aceito o cálice pintado de ouro contendo o tóxico venenoso de ti

E bebo como quem domina a fera

Lentamente

Muito lentamente...

Confiante no antidoto da minha verdade

Controlo a vontade de jogar por terra o liquido

Bebo lentamente

Muito lenta..mente

E bebo sorrindo.

Olhos nos olhos

E só assim sei que entendes e não mais serei cobaia

Vitima

presa fácil

Agora bebo sim

controlo a irreverência que me caracteriza

Aprendi a conter a dor e já não vomito palavras de revolta

Não me desgasto

Não me consumo

Bebo, agora bebo sim


E depois serei eu que te diz...bebe!

Não por vinhança, mas por teres que morrer assim..

Bebe!!

quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Deixem-me inventar o Amor sff


Não me apetece ter mais vontade iguais a tantas outras
Nem dizer as palavras doces que já antes adocicaram outras bocas
Não me apetece ser assim… qualquer outra

Poderei alguma vez ser só e apenas ..a louca

E nem desejar

Nem querer

Nem sentir demais do que é esperado

Ser apenas ser..

Eu

Sem o meu Eu ser igualado

E depois o Tu Que me baralha o ser

Pensar ser assim, só por Eu em Ti me perder

E do Tu e Eu fazer um Nós

Sem outro Nós acontecer

Mas já tudo está inventado

E mesmo parecendo que não

O Eu e Tu deixa de ser invenção

Plagiado o Nós

Com mais que uma conjugação

Existe Um Tu e Eu

Um Eu e Tu

Um Tu e Ela

Um Eu e Ele

Um Tu e Elas

Um Eu e Eles

Todos… Nós.

E assim se perde a origem e originalidade do ser

Qualquer poeta escreveria igual

Qualquer actor fingiria a mesma dor

Qualquer Eu seria Tu

Qualquer Tu seria Eu

Todos ..Nós

E que me resta afinal se nem sei ser original?

Inventarei uma outra que ainda pensando ser louca

Se invente apenas Desigual.

Nesse dia não se repetirão palavras de Amor pelos poetas

Não se escutarão músicas já antes suspiradas

Nem se darão os beijos em bocas já pintadas

E se querer inventar o Amor for ousadia

Que se escreva amor sem a grafia

Que se amem os corpos sem poesia viciada.

Não quero ser cópia da vossa fantasia

Deixem-me ser o invento

A origem da poesia Ser a causa, a razão e primeira criação do Amor.
Depois?

Era alquimia e em cada novo amor uma outra forma se criava…

rodeado de vapores e cores
cheiros, liquidos nunca antes misturados E por fim a solução explodia e um novo amor se inventava

Desigual

E nenhum de Nós se repetia