Com_traste
sexta-feira, 13 de abril de 2012
DesPrazer
Desconheço as regras
Os traços contínuos são invisíveis aos meus olhos
As noites nem deviam existir
Só lhe vejo a luz que cintila e me chama
Apetecia-me partir
Agora de mala feita e desfeita
A casa faz eco de tão vazia
E eu grito baixinho só para me ouvir ao longe
De tão desconfortável
Sinto-me como sempre sonhei
Completamente perdida e entregue exclusivamente à minha vontade e indecisão
Indomável
Renego traços que possam conferir destinos
E faço palavras cruzadas em que faltam sempre letras
Apenas para não encontrar as respostas que todos esperam
As rosas secaram na jarra
E mantêm-se intactas
Sorrio
São lindas
Natureza morta
Literalmente morta
Sorrio novamente
A sangrar depois de me picar numa delas
The show must go on
A palavra que forma o pensamento, é ópio.
Os mais dependentes, sucumbem facilmente à ganância do conhecimento, por só este dar a verdadeira liberdade.
Nenhum Homem ignorante poderá ousar sequer, castrar-te o pensamento…por isso castra-te apenas a liberdade de obteres a capacidade de ser feliz.
Dementes, buscando nos bolsos migalhas…nos fatos feitos em série..padrões que fazem moda nas ruas alcatifadas.
Corpos doentes em mentes decapitadas, decoram montras em qualquer estação…
E mentes…mentirosas mentes…formando pares.
Ludibriando a pura loucura, do individuo que marginaliza a própria sombra…por medo de si.
Basium
Temporariamente
Ouso passar-te a língua
Nas palavras que transpiras
Nessa viagem revisito o tempo
Lento
E sei o sabor de cada minuto em ti
Corro pelo mar de sal
Nos pés descalços na tua praia
E salivo ondas na maré que vai e vem
Num movimento controlado
Sem luas
E abro as sílabas na tónica sem acentuação
Quebrando o gelo com os dentes
Dormentes
Temporariamente
Passas a língua em mim
Sentes o frio em arrepio
Quente na passagem frequente
Mordes amoras
Colorindo os dentes
Lambes entranhas
Afogando gente
Passas e repassas as feições
Que em liquido convertes
E em suspiros evaporas
Ouso passar-te a língua
Nas palavras que transpiras
Nessa viagem revisito o tempo
Lento
E sei o sabor de cada minuto em ti
Corro pelo mar de sal
Nos pés descalços na tua praia
E salivo ondas na maré que vai e vem
Num movimento controlado
Sem luas
E abro as sílabas na tónica sem acentuação
Quebrando o gelo com os dentes
Dormentes
Temporariamente
Passas a língua em mim
Sentes o frio em arrepio
Quente na passagem frequente
Mordes amoras
Colorindo os dentes
Lambes entranhas
Afogando gente
Passas e repassas as feições
Que em liquido convertes
E em suspiros evaporas
Era uma vez...
As histórias já foram todas contadas
Comecemos de novo e para que se retenha o essencial…
“Era uma vez
E foram felizes para sempre”
Tudo o resto é pura especulação...
Frágeis
As palavras estão tão gastas
Que receio quebrar a crosta fina que as sustenta
Mal lhe toco agora
Olho-as desejando tocar-lhe como antes
Não me atrevo a assumir nas minhas mãos o seu ultimo momento
Nem na minha boca o seu ultimo suspiro
Fomos cruéis com elas
Ao ponto de as deixar assim fragilizadas
Queremos-lhes tanto…ou tão pouco
Que esquecemos de cuidar delas
Violamos-lhe a origem
A sua pura casta
E depois vestimo-las de histórias
De memórias
De fantasias
Sentimentos
Inventos
Desejos
Egoístas e cegos
Manipuladores
Descrentes
E agora quase a ficar mudos
Seremos igualmente surdos
E cegos
Conta-me uma história
Pedimos…
Não fosse ter manchadas as mãos
A língua morta
Nem pesada a consciência
Contaríamos como outrora
E assumiríamos a culpa de nada soar como antes
Quando as palavras eram virgens nas nossas bocas
E a sua verdade era única
Todo o encantamento se quebra agora
Mal lhe toquemos com a ponta dos dedos
Ou com a ponta da língua
O que resta
É um sabor a ausência do valor das palavras
É acto de amor pago à prostituta
É paladar de algodão que já fora doce
Restos
De papeis assinados à mão
Ou marcados com impressões digitais
Vivas.
Agora
Morrem-nos
Nos dedos nus
Sem papel
Sem laçarotes nem rendas
Decalcadas de boca em boca
Não fosse ter receio de quebrar a sua crosta fina
Diria ainda…tanta coisa que ficou por escrever.
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