Com_traste
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Da loucura
Dizem desconhecer a causa
Falam da desordem mental que agita os cabelos
Dos olhos abertos escandalosamente inquisidores
Ou fechados num "não quero saber" ilegal
Dizem escutar uns sons estranhos
Como quem uiva ou quem aguenta dor
Fingem não saber seu paradeiro
Recusam assumir a culpa
É sempre um desgosto de amor
Uma história mal contada
Uma morte dolorosa
Uma qualquer origem pouco original
Mas o que escondem afinal
É o reflexo
Do espelho quebrado pelo horror
Da disforme descendência de Deus
Est (R) anho
A matéria semime(n)tal maleável
Que nos forma
Resistente ao mar dos olhos ou ao vento das palavras
Molda-se ao sentimento
Sucumbe ao corrosivo do produto exterior com que nos banham
Que quando aquecido transporta mais do que a si mesmo para o lado de lá
Em caixa preciosa adorna a jóia natural que guarda a pureza do sujeito
E apenas se deforma pelo calor das mãos cuidadosas
Est(r)anhaMente pensa-se menos puro
Pela pouca luz que emana aos olhos dos outros
E por vezes deseja ser um outro mais valioso
Até à hora em que um est(R)anho igual o ama.
E nessa liga apertada se unem num só
O parecer torna-nos putas
Nas esquinas ilusórias
Em sociais contratos orais
Passam de boca em boca como os vírus
As formas dos corpos animais
Que domesticam em circos coloridos
E, caso te iludas e com elas vais
O amor prometido em vaginas colectivas
Não são mais que doenças fatais
E entre o que és e o que pareces
Há um cais de um amor em porto sentido
De onde podes apenas partir em sonhos
Porque a realidade não é tua
Vendeste o amor no momento que dele duvidaste
Fica então nesse cais
Num aceno eterno de adeus
Arritmia
A noite e o dia
Em batidas aceleradas
Da língua que lambe a palavra do desejo
Tocando constantemente a mesma silaba apaixonada
Lambe o dia vagaroso
Morde a noite apressada
E na boca a língua salivada
Inunda o corpo inteiro de amor perfeito
lambuzada, a vontade pudica rende-se
Os nós dos dedos em pancada
No chão de cama que sem mãos fizeram e desfizeram
Batem quase em desespero
Na hora em que unos os corpos se renderam
Ao grito do prazer em cavalgada
E o ritmo do silêncio foi quebrado
Pela consciente voz em queda livre
Beijo que fala
Palavra que ri
E uma dor no peito descontrolada
Fez-se noite mordendo os lábios
E de novo o dia em ponta de língua serpenteada
O sangue em corrida desenfreada
Rumo ao epicentro
Do furacão em sabores de sexo degustado
Que em ritmo acelerado
Teimoso bate no peito
Quebra noZes
Grão a grão
Bago a bago
O rubro sabor da romã em açucarada calda
Delicia-me o palato da imaginação
E nessa cama que de folhas secas me deito
Aconchego a alma almofadada de outono
Ao corpo quente da castanha
Nas tardes que anoitecem mais cedo
E a aguá pé enlouquece a memória
Das estações onde viajamos
Sempre carregando passados que sonhámos diferentes
E presentes sem laços de cetim
Talvez o destino seja mesmo um futuro que nunca alcançamos
Embora ano após anos se abra apetitosa a romã
Nos meus lábios infantis
E nos meus olhos se passeiem os teus enamorados
Só nos cabelos se escreve a história
Como se nada disto fosse verdade
Contamos e recontamos
Todas as épocas
Em frutos
De árvores de um paraíso inventado para nos salvar...de nós!
domingo, 4 de novembro de 2012
Quantas são?
Quantas são?
Se algo me definisse era um turbilhão
De vento nos cabelos a agitar ideias
De sentires na pele a arrepiar o corpo
De emoções baralhadas ao segundo
De sabores agri-doces na ponta da língua
De quereres
Tantos quereres
Que de tanto querer me desengano
E num rodopiar volto ao inicio
Em espiral eufórica
Qual cordão umbilical que me dá de novo a vida
Se algo me definisse era um turbilhão
De vento nos cabelos a agitar ideias
De sentires na pele a arrepiar o corpo
De emoções baralhadas ao segundo
De sabores agri-doces na ponta da língua
De quereres
Tantos quereres
Que de tanto querer me desengano
E num rodopiar volto ao inicio
Em espiral eufórica
Qual cordão umbilical que me dá de novo a vida
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