Com_traste

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

RIP

Foi quando resolveu cortar os pulsos, que a corda em volta do pescoço apertou
Nada faria prever, que o tiro certeiro acabaria de ser dado à queima roupa...
Nos vestígios deixados pelo maremoto...ainda boiava o frasco de cicuta
O único folgo que lhe restava foi dado num beijo sufocante de despedida
E foi assim que de nada lhe serviram as sete vidas que tivera

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Post it

Não esquecer
Não esquecer nunca
Que finjo
Lembrar
Lembrar sempre
Que minto
E escreve-lo em todos os papeis que represento
Haja vento
E sorte
E um dia ainda a verdade me virá parar às mãos
Num acaso da vida
Isso, se até lá conseguir escrever de forma legível
Todas as letras
Ou a memória deixe de me trair
Ou eu...

post scriptum

Sempre os Homens
Só os Homens
Os Eus de um Deus umbilical
E eu quero os pássaros
Os insectos
Os bichos selvagens
As árvores mortas e as árvores reencarnadas
E a árvores orvalhadas, tenras, viçosas e vivas
E as pedras
Ai como eu adoro as pedras
Grandes
Pequenas
Redondas
Da calçada calada
Da lua...sonhada
Da berma do caminho
E aquela noite
E aquele dia
Que passam silenciosos
E as estrelas em queda livre
E a liberdade do tempo
Ainda por contar
Ai como eu gosto dos vultos
Sombras medonhas
Fantasmas meus
E risos
Abraços
Sorrisos
Da criança feliz
E da infeliz
Que sem ser Homem diz
Tudo o que poderia ser o ser humano
Acaso não fossem Homens
E a culpa desta minha infelicidade
É saber que os Dinossauros sonhavam uma outra coisa da vida
Sempre os Homens
Só os Homens
A contradizer a teoria da evolução
E eu queria ser um peixe alado
Ou uma qualquer pedra...na lua.

(imagem: http://www.acrobatsublime.com/photographs.php)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Servi Domini


Porque nos devoram os monstros sociais
E depois de comidos querem mais e mais
E nós alimentamo-nos de ilusões
Somos puras contradições
Individuais, doses fatais
Alimento para animais
Porque não morrem enfartados?
Trincam e lambem os lábios
Babosos glutões
Nada na borda do prato
Afogamo-nos na sopa com a pedra no sapato
Morrendo de cansaço, boiando como excrementos neste esgoto
Ok, não somos gente
Mas sombras de um criador, que se esqueceu de nos tirar a dor
E nos deixou acreditar na fantasia
Reprodução em cadeia
Sem grades para que possamos afiar as limas
E usamos as unhas esgravatando a terra
Fazendo covas para plantar defuntos
Que depois de bem cuidados crescerão viçosos nas nuvens
Alados girassóis
Que seguirão eternamente a luz divina
Que sina!
E a semente de gente?
Serve de alimento ao patrão
Que em dia sem remuneração
Acusa
Abusa
Explora
E nós pedindo esmola
Na porta da consciência urbana
Infestada de peste suína
Desumana
Doença roubada para pura carnificina
Ide em fila
Porcos imundos
Redundantes seres animados
Agradecei em voz baixa e de olhos no chão
Para que querem mais que um naco de pão?
Já não há pulmão para gritos de revolta
Droga de criatura pura
Essa maldita habilidade que insistem meter nas veias
Dignidade?
Ilegal sentimento
Não lhes chega o demente pensamento
Querem mais?
Agora cortem os pulsos que precisamos de dar cor à pátria
Não há maior honra que servir de pigmento
Amanhã é dia santo
Podereis chorar em vão
Alegremente florir campas
Uma ou outra oração
E basta!
Para o ano há mais cultura
Festas são procissões
Vistam os meninos de anjinhos
As virgens com seus filhinhos
E aleluia senhor!
E não adianta não ser crente
Somos UM ilusoriamente
Formando a massa compacta da estupidez humana

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Bi_Polar

O urso fofinho na cama do menino
Ou o outro animal que de quando em vez nos faz mal
Ou ainda o Pulo da mente demente
Que de dia ri e noite chora
Que sente e mente
Mente o que sente
Faz de toda a gente
Acrobatas
Em salto mortal escarpado
Tentando cair a pés juntos
E sorrir
Por saber disfarçar a rede
Que nos sustenta...na anormalidade.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Espalhafatosa

Poderia escrever alguma coisa interessante....podia!
Mas há alguma coisa mais interessante que o silencio...que possibilita todas as coisas?
E então..calou-se!
Não escondendo o sorriso sádico, que com sorte não seria entendido...

Marginal

Não tinha regras
Nem mapa astral
Mas seguias-se pelas estrelas
E a lua cheia era a sua morada
Olhava a mão do destino e não entendi o que lhe estaria guardado
Então...ousou agir apenas pelo sentir
E nessa mão cheia de sensações
Quebrou corações
Chorou de amor
Quis tanto viver em liberdade que se prendia a cada um que lhe dizia amor
E no fim das contas...nunca encontrou aquilo para que se sabia destinada
Amaldiçoou Deuses
Negou a humanidade
Virou fera
E de presa a predador
Esperou a evolução da sua espécie
Que sabia extinta
Quiça haja vida em Marte e nela...humanidade que se cansou de esperar
Sorria
Nunca se iria encontrar..a não ser que...
Aceitasse morrer assim
E reencarnasse novamente nela
Mas na hora em que se dava o fim
Foi decretada a inconstitucionalidade da reencarnação
E ...Fim!!!