Com_traste

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Procura-se, morta ou viva, a imaginação do meu criador.


.Fazer… Desfazendo

Posso ser até um monstro dos vossos pesadelos nocturnos
Um anjo dos vossos desejos de santidade e pureza
Façam-me Deusa
Ou diabo de saias
Façam-me um doce recheado do pecado que vos atormenta
A maçã já podre que Adão não quis morder (gajos!)
A Eva ,de parra em queda livre corando pudica..mente
Juntem as peças do puzzle, uma a uma,
Encaixem os pés na zona dos braços,
A cabeça fora do sitio
Percam a parte de um coração alado
Joguem ao ar os dados viciados e gritem loucos..batota!!
Inventem-me, refazendo a roleta russa onde quem morre é sempre o ultimo que dis(Z)...para.
Comandem à distância os membros do boneco articulado que sou
Qual marioneta tonta.. que diz que disse um outro qualquer
Pinóquio ou Gato das Botas
Cinderela e Branca de Neve
Contem-me nas estórias recontadas
Façam-me andar em roda cantada
Serei a fada, a bruxa a outra mal amada
O pecado cruel.
Mas por favor
Inventem-me sem ser Mulher
Deixem-me ser assexuada
Porque para tão mal imaginada ...prefiro ser diferente do meu criador.

Se não me sabem…inventem-me se faz favor!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

INVERSA...mente


Controversa…mente
Enrolada em pensamentos dispersos, difusos, divergentes da verdade criada.
Cresce conflituosamente entre o bem e o mal
Disputa a pura realidade com impura fantasia
Mente-se
Confessa-se
Promete-se una
Mais sã, mais ela, mais outra, mais controlada..mente
E no segundo que passa diverge nova..mente da sua anterior postura
Sem dar conta da eterna loucura
Segue inconsciente..mente na procura
Da que confusa pensa ser sua
Soltando-se entre uma e outra revolta
Em lapsos de memória
Em recordações sem tempo
Em factos nunca antes comprovados
Mente capta a contradição
da sua incapacidade de ser
E do seu ser capaz de iludir sem pena
A própria mente que a devora
Como polvo de fálicos tentáculos
Fecundando o corpo desnudo da alma pura
Deixando prenhe todas as que ousam pensar em si
Como donas do corpo que passeia
Sem pagarem o verdadeiro preço do conhecimento da mentira
E sabendo-se só ela a que dá à luz
Rebenta em águas a bolsa protectora
Da sua sanidade temporária
E em períodos mais sangrentos
Derrama o liquido sem represas
Deixando à vista as possíveis dores
Dos partos improváveis
E soluçando vómito
Aparenta agonia dos moribundos
Cuidadosa..mente deitada em leito desfeito
Aguardando um paraíso prometido
Ou o inferno onde passeia vaidosa
O diabo que sabe possuir.

domingo, 27 de junho de 2010

MORD..az


E de repente pousou a enxada.
Encostou o cabo ao tronco do chaparro e ficou-se ali a olhar as coisas como se fosse a primeira vez.
Não entendia o que fazia ali ao sol, cavando a terra ressequida, não fazia sentido deitar a semente à terra, cuidar da planta ainda frágil, ajudar a crescer a árvore, colher o fruto prometido e por fim….deliciar-se na dentada.
Depois voltar a deitar a semente à terra e, de forma estúpida, repetir o ritual.
E se mudasse de vida? Pensou enquanto limpava o suor do rosto e de olhos franzidos, olha o sol que se erguia com altivez.
Nada lhe fazia sentido agora.
Para que se erguia o sol se era mais que sabido que terminaria a pôr-se?
E o rio?
Corria tantas vezes o mesmo leito!
Ao longe ouvia-se o ladrar da Eva, corria para junto de si e, como se adivinhasse algo, lambeu-lhe as mãos e deitou-se aos seus pés ficando a olha-lo com aqueles olhos de gente.
Oh raios!! Pensou.
Sentou-se junto a ela e ficaram ali, a ver as formigas que seguiam num carreiro…sempre tão certas, tão apressadas em ir em frente…como se soubessem todo o sentido da vida.
Anoiteceu sem trazer grande novidade…e na manhã seguinte, logo pela fresca, que é cedo que começa o dia, o homem cavou a terra, regou as árvores e voltou a por fim ao fruto…prometido…numa dentada única…como a primeira, dada ainda no paraíso da ignorância .

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Entre-Gostos


Comer lentamente ou degustar com gula?

O apetite voraz que consome as horas em que a digestão demora,
transforma a visão e deixa-nos com pasmos.

Os suores frios banham o corpo febril

Saliva-se só de imaginar o apetite saciado

Em cada novo paladar apuram-se os sentidos

Cresce a vontade de um alimento mais do que um matar a fome

Escolhe-se o vinho certo, não basta beber!

Engorda-se a alma de um corpo anoréctico

E entre-Gostos descobre-se um manjar dos Deuses

Não temeis a gula
O castigo do pecado será apenas o engordar da vontade

O veneno não é da maçã ofertada
É do..Gosto de ti.

Rascunhos de Si (lêncios)


De rosto vazio e de olhar sem sonho
Já há muito que vivia ali no mesmo corpo
Um desenho (in)animado
Simplesmente saberiam que ainda respirava
pelo gesto involuntário que fazia
Desenhando traços numa folha de papel
Amarrotando logo em seguida na palma da mão
Uma e outra vez
Traçando a carvão rascunhos de Si (lêncios)
Jogados pelo chão...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Íris...


E subitamente surgiu ali, no céu infinito de azul
Em tarde de choros já passados e em queda livre derramados
Refrescava assim o tempo e o coração
Afinal ainda não era verão, diziam os incrédulos de sempre
Afinal o tempo já é outro, diziam os convictos do mal dos homens
E eu apenas disse:
Afinal existes!
E olhei-te sorrindo, vendo cada cor do teu corpo em arco
Imaginando ouro sobre azul
E lilás,
E amarelo,
E verde,
E vermelho…
E todas as cores que surgem quando se tocam os seres
Afinal existes!
Disse ao mesmo tempo que te dissipaste no meu céu…
E subitamente voltou a chover … gota a gota em mim
Todas as cores ..e no fim..bem dentro dos nossos olhos …o tesouro guardado!
Afinal existes!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Mirar..gens




A angústia dos momentos negros
Ou apenas dos momentos de cores incertas
Transforma a visão lúcida das coisas
Tornamo-nos invisuais selectivos
Aparentemente inconscientes do facto
Sentamo-nos frente a um espelho
Drasticamente deixa de espelhar
Torna-se lodo, como areias movediças
Em que nos vemos a afundar
Sem pestanejar
Silenciosos
Lentamente deixamo-nos ir
Como se tivesse que ser…assim!
E continuamos a pentear os cabelos sem brilho
A colocar a cor negra nos lábios rubros
Nas faces um toque de pó
Nos olhos as sombras
Roupas predestinadas
Aquelas que nos mostram disformes
Contra correntes ou modas
Saltos rasos
Mala cheia
E o espelho sem espelhar a imagem verdadeira do que somos.